domingo, 27 de fevereiro de 2011

A FELICIDADE ESTÁ NOS CANTOS DA BOCA E NO CANTO DOS OLHOS.

Quando recebia instruções de yoga de minha avó materna às recebia com muita atenção. 
Isso porque minha primeira impressão com as práticas do surya yoga foram de muita auto realização.


Quando algum desentendimento entre irmãos acontecia na casa dos meus pais na década de 80, eu seguia os ensinamentos de minha avó.
Para se tornar mais feliz primeiro você deve tomar consciência de todos os níveis de tensão espalhados pelo corpo. Todas as tensões do corpo se dissolvem quando você respira fundo criando um sorriso no canto dos olhos e nos cantos da boca.
Isso para mim continua sendo um elixir da jovialidade e da longevidade. Depois tudo se desenrola naturalmente... .

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

TODA VIDA É YOGA

Pessoas e amigos que me perguntam sobre como começar a meditar, eu respondo:
Para se começar uma boa meditação o primeiro passo é saber cumprir regras.


Existem dois níveis de regras: as mais conhecidas e as menos conhecidas.
As mais conhecidas estão ligadas ao senso comum como o cumprimento de regras sociais e, também das regras naturais do corpo. É o corpo quem sente essas leis e devemos respeitá-las. Por exemplo o estresse do dia-a-dia ou quanto ao seu funcionamento natural de higiene, sono, mastigação, respiração, descanso, atividade física, correta ingestão de aguá, etc.


O outro nível de regras são menos conhecidas, mas não menos sabidas pelo menos em nível inconsciente, e estão ligadas a ciência das leis da natureza. Estas são regras que selecionam e limitam pessoas ao ingresso à uma meditação mais profunda. Na verdade é aqui que a pergunta se faz de modo inconsciente. É aqui a real pergunta porque meditação é algo natural. É um mecanismo natural do cérebro. Tornar isso consciênte é estabelecer contato consigo mesmo na ciência do autoconhecimento. Portanto quando alguém que nunca teve contato com técnicas de meditação chega a formular tal pergunta, significa que ela já vem tendo experiências meditativas de modo inconsciente.


O maior estudo prático da meditação é a ciência do autoconhecimento.
Dois são os aspectos éticos que o meditador precisa conhecer para ingressar e compreender o real funcionamento deste intricado sistema: 1) o Yama ou autocontrole, ou conduta correta nos relacionamentos; e 2) o Nyama ou não controle, ou os consentimentos do caminho.


O Yama ou Autocontrole refere-se à não violência, ao não mentir, ao não roubar, ao não ser sensual e ao não ser ganancioso. Está ligado ao poder do corpo em contrair-se e controlar-se.


O Nyama ou o não controle ou também o "Let it be" refere-se a limpeza, contentamento, austeridade, estudo de si mesmo e a devoção ou também auto entrega. Está ligado ao poder de descontrair, expandir e afrouxar os laços materiais com seu próprio Eu. 
Exercícios de coordenação motora, equilíbrio e respiração associado a exercícios de forças e repetições simulam situações da qualidade de Yama e Nyama. Porém estes exercícios exigem a presença de uma mentalidade sã e centrada. Claro que nada se compara com a prática do cotidiano atribulado. 


Em suma, não se medita sem um direcionamento. E também não se medita quando o foco de suas ações se baseia fora de você. O fruto das suas ações, a experiência e o esforço de vida são fundamentos da meditação que devem ser exercitados e revistos assim como a prática regular de exercícios físicos. Tanto o corpo quanto o cérebro precisam se exercitar e descansar. É o jogo de tensões e relaxamentos que mostra o caminho com mais clareza. Este é um estado da consciência onde se descobre uma ética biológica de exercícios para toda a vida e uma ética cósmica não distante do dia-a-dia.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CANCÊR - UMA REALIDADE INCOVENIENTE

Mudança de hábito e uma boa dose de coragem e disposição são o que levam o paciente com diagnóstico de cancêr à cura. Estas são palavras do maior cirurgião oncologista Dr. Dino Altmann que cedeu entrevista ontem à radio CBN. A jornalista Pietra Chaves o entrevistou junto a um caso de um paciente que conseguiu este antídoto para se livrar da quimioterapia. Um caso grave, com poucas chances de sobrevida e com remoção cirúrgica de mais de dois terços do fígado o paciente JG seguiu as recomendações médicas para mudança de hábito. Sua vontade de viver e superar a situação o fez com que hoje tivesse uma vida saudável.
Exercícios de caminhada, o abandono do álcool e do fumo, o não exagero dos alimentos gordurosos dispensando os fast foods compuseram um quadro de melhora para este paciente.


Para cada indivíduo um obstáculo específico para tomada de decisão de mudança de hábitos. Em alguns casos há necessidade de acompanhamento de um personal care ou um fisioterapeuta postural que o ajude a encaminhar naturalmente para esta mudança que pode vir a ser radical. A mudança se estabelece primeiro na vontade de se abrir para o novo depois progride para os desafios de mudar o ritmo da casa, dos costumes e vícios que outrora faziam parte de um cotidiano nocivo.

Ir em frente e se esquecer do passado é um feito suprahumano que requer o mínimo de abertura da espiritualidade. Parece que esta é a maior das verdades inconvenientes.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

EXPERIÊNCIA FISIOTERAPEUTICA COM BORDERLINE

...e quando eu menos esperava, chorei de joelhos.

Muito mais freqüente em mulheres do que em homens, o Borderline é um dos mais sérios transtornos da personalidade. No limite entre um estado normal e um quase psicótico, assim como às instabilidades de humor, os boderlines são pessoas que em certo instante passam como normais, mas a própria condição postural demonstra importantes desequilíbrios psicofisiológicos.

Em março de 2008, vivi a experiência de um paciente com este diagnóstico. Hipocondríaco ao máximo, e de alto poder aquisitivo, sua queixa inicial era a de não poder se movimentar direito em decorrência da obesidade e do sedentarismo. Logo me prontifiquei não só como fisioterapeuta e terapeuta, mas como um amigo.
Foi aí que errei, e feio.
Nunca poderia ser amigo de um paciente nessas condições. Deveria ter mantido uma distância que me protegesse contra os "ataques". O Boderline ou transtorno da personalidade limítrofe não é muito freqüente. Nos USA se considera 2% da população, (mas cuidado, geralmente as estatísticas lá são exageradas).
Mas não vou descrever aqui todos os sintomas, evolução, riscos, causas prováveis e todo o prognóstico. Se quiser aprofundar no wikipédia tem uma boa leitura.
Aqui só vou expor que eu sabia que havia perdido algum poder terapêutico sobre aquele paciente. Não sabia qual. Minha aproximação com ele ocorreu por saber que o melhor para ele era socializar-se e melhorar o relacionamento com seus familiares. Propuz então a compra de um equipamento que faria toda a diferença uma vez que o paciente negava sair para caminhar ou exercitar-se na academia. Nesta hora, subiu a cabeça quando ele percebeu que estava melhorando. 
Incrível como ele conduziu a discussão de modo a encontrar em mim uma fraqueza que eu mesmo não houvera detectado em momentos de meditação.


E quando eu menos esperava, estava de joelhos, chorando e implorando para que ele parasse com aquele ataque que ultrapassava o plano físico das palavras e atingira meu corpo emocional e parte do mental.
A sensação foi de derretimento. Não sabia se vomitava ou desmaiava mas algo me dizia para levantar e ir embora.
Triste como todos nós conduzimos nossas vidas nas cidades. Escondemos quem somos para poder ter. O ser fica completamente aniquilado. E naquele momento senti o meu ser aniquilado pela minha condução fisioterapêutica. Eu já não possuíra nenhuma boa influência e já não servira como facilitador de um processo de autocura. 
Eu acreditei no tratamento pela amizade. E fiquei sem ambas. Não é uma terapêutica simples. O que acontece na vida real acontece dentro do consultório: instabilidade emocional, alternância entre amor e ódio, idealização e desapontamento com o terapeuta, sedução, impulsividade.
Isso quer dizer o seguinte: o tratamento exige paciência, persistência, disciplina e muito boa vontade.

Pacientes gratos hoje podem se mostrar ingratos amanhã. Terapeutas que hoje são vistos como atenciosos e dedicados podem ser criticados e vistos como monstros amanhã. Aqui nasceu em mim um amadurecimento sutil que se transformou em delicadeza e mais gentileza. Graças a minha personalidade sadia. Conduzo minha personalidade com minha individualidade. E esta com minha alma. Então não há como haver mágoa, culpa, ódio e sim um lamento por não ter sido maduro para conduzir o processo de autocura do paciente.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

ARTROSE DE QUADRIS - NO FINAL DAS CONTAS COMEÇA TUDO OUTRA VEZ

Não há disfunção mais incapacitante do que a artrose. Lidar com a dor e ao mesmo tempo mudar certos hábitos são desafios muitos intensos para quem na vida aprendeu a trabalhar em posição sentada por longos períodos ou foi adepto ao sedentarismo.
Este é um tratamento que despende tempo e freqüência quase que diárias. Melhor se fosse duas vezes no dia. 


Melhor ainda se fosse três vezes ao dia. Então dá pra entender o panorama: quase ninguém tem disponibilidade e vontade para tal.
Desse modo a artrose se desenvolve ao longo dos dias, dos meses, dos anos, e das décadas até a chegada  do momento inexorável em que o paciente fica completamente entregue ao tratamento cirúrgico.


O paciente com artrose de quadris relata que a cirurgia é um divisor de águas. Antes da cirurgia um pessoa diferente do após a cirurgia. Além do incrível final das dores, shouve antes da cirurgia uma intervenção fisioterapêutica o paciente então passará o pós cirúrgico com ótimo resultado e recuperação, e em poucos dias já sentirá uma completa mudança e alteração no estado de espírito. Agora é só lidar com uma prática diária de exercícios posturais, ou seja, ainda precisa vencer o velho hábito sedentário de imobilidade crônica.


Melhor se não tivesse esperado tanto tempo para escolher uma vida de hábitos para melhora do quadro clínico com acompanhamento fisioterapeutico postural.  Melhor se não tivesse esperado tanto tempo para tomar uma atitude de mudança de paradigma. Mas em todos os casos a fisioterapia sai como um elixir complementar que devolve a função e dá mais força e energia para o paciente realizar seu sonho: andar sem dor, novamente!

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

LESÃO MEDULAR - ANDAR É O OBJETIVO

Ao longo de minhas vivências com paralisias e parestesias, a mais interessante foi a que conheci recentemente no Centro de Reabilitação e Recuperação de Lesão Medular- Acreditando, localizado no bairro do Butantã, na rua Alvarenga, 1700. Os empresários, noivos e também vítimas de lesão medular Felipe e Fernanda são pessoas em que se  pode notar um profundo engajamento e no mínimo altruísta em trazer o método da Califórnia para o Brasil. 
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O método trazido do Project Walk tem como objetivo, andar! O símbolo é uma pessoa em pé erguendo a cadeira de rodas nas mãos. E é isso realmente que acontece.
Me impressionou ver como duas pessoas podem fazer uma enorme diferença num país como Brasil que não acredita numa recuperação deste nível. Hospitais e Centros de Reabilitação como o conceituado Sarah Kubitschek que é referência no mundo em reabilitação ortopédica não chega ao pés deste método inovador.

Estou apostando numa mudança real de pensamento sobre a vida e ao estado de cura do ser humano. Aposto nesta visão e também na força de vontade e alegria, amor e contentamento pois felicidade é um estado que independe do movimento do corpo. O movimento é reflexo deste contentamento.
O tênue limiar entre trazer a paz para dentro de si e a real conquista de trazer a paz de dentro de si mesmo é a diferença que direciona aos processos inatos de cura.